Antropofagia.
Assim como um casaco de pele, tardes cinzentas, assim como os
cangaceiros e os beatos, paris, nova iorque, nova russas, parangaba, mucuripe,
caminho das índias, anos 70, minha mãe, meu pai, as fotos dos outros, a música,
os mendigo-fashion, o bêbado, o banguela, o despachante, ou o contínuo como se
costuma a falar. com a globalização agora a gente sabe de tudo e pode comprar
tudo pela internet. Falta dinheiro, mas não falta alegria. Antropofagia.
Somos uma potência com um ritmo diferente, meio lento, meio tenso,
corajoso. Sou capaz! Mais pro lado do casaco de pele do que pelo lado da flor
de papel crepom? Eu não sou daqui? Eu já queria que eu e meus amigos
estivéssemos em Hollywood - para passar uns dias e voltar. Aí eu primeiro
produzia tudo no EMAUS e o que faltasse no Le marché aux puces e na American
Apparel.
Tenho medo da escassez, da pobreza abafar nosso talento. Essa falta de
certeza, essa falta de profissionalismo, esse excesso de humanidade. Conflito e
Antropofagia.
O mais difícil é a falta de elegância e a voz anasalada que entrega o
jogo. O sol também é muito forte, não da pra usar manga comprida, avalie casaco
de pele. no noir por cá.
Longa vida ao cinema cearense.
*texto de 20/08/2009 para revista não publicada, encontrado em 04/06/2018.